EDUCAÇÃO EM SAÚDE SOBRE DOENÇA DE CHAGAS EM TERRITÓRIOS VULNERÁVEIS DA APS
Resumo
Introdução: A Doença de Chagas é considerada uma doença tropical negligenciada, associada a contextos de vulnerabilidade socioambiental e condições favoráveis à presença de triatomíneos, conhecidos popularmente como barbeiros. Apesar dos avanços no controle vetorial, a doença permanece como problema de Saúde Pública. A Atenção Primária à Saúde (APS) possui papel estratégico no desenvolvimento de ações educativas e de vigilância em saúde. Aliada à abordagem da Saúde Única, favorece a participação comunitária na identificação de riscos e fortalecimento da prevenção. O presente trabalho tem como objetivo relatar uma experiência de Educação em Saúde sobre Doença de Chagas desenvolvida em territórios vulneráveis da APS.
Métodos: Trata-se de um relato de experiência sobre uma estratégia de Educação em Saúde desenvolvida por médica veterinária residente, em Unidades da Estratégia Saúde da Família (ESF) e território adscrito. As intervenções foram planejadas após o reconhecimento de necessidades do território durante territorialização e diálogo com Agentes Comunitários de Saúde (ACS). As atividades incluíram salas de espera nas unidades de saúde e uma ação extramuros realizada em área caracterizada por relatos da presença de barbeiros e moradias com condições favoráveis à permanência do vetor. As atividades tiveram como foco a prevenção da Doença de Chagas, abordando formas de transmissão, sinais e sintomas, medidas de prevenção e a conduta diante do encontro do barbeiro no domicílio, incluindo sua captura segura e encaminhamento à Vigilância Ambiental.
Resultados/Discussão: As ações possibilitaram interação com a população, sendo frequentes os relatos da presença de triatomíneos nos territórios abordados, o que evidenciou a relevância da temática para a realidade local. Observou-se desconhecimento sobre as condutas diante do encontro do inseto, principalmente quanto à sua captura e encaminhamento à Vigilância Ambiental, etapa importante para o monitoramento entomológico. Também foram identificadas dúvidas sobre as formas de transmissão da doença e sobre a necessidade de infecção do vetor pelo protozoário Trypanosoma cruzi para ocorrência da infecção humana. Os achados evidenciaram uma lacuna entre a presença do vetor no território e o conhecimento da população sobre seu papel nas ações de vigilância em saúde. Essa lacuna reforça a importância de estratégias educativas territorializadas capazes de aproximar a população das ações de prevenção. A realização da atividade extramuros em área de maior vulnerabilidade socioambiental ampliou o alcance das orientações, destacando-se o papel de ACS na identificação das necessidades do território e na mobilização da comunidade para participação nas atividades desenvolvidas.
Considerações finais: As ações de Educação em Saúde contribuíram para ampliar o conhecimento da população sobre a Doença de Chagas e fortalecer sua participação nas estratégias de vigilância em saúde. A territorialização e a participação de ACS mostraram-se importantes para o reconhecimento das necessidades locais e o direcionamento das intervenções. Destaca-se a contribuição da Medicina Veterinária na articulação entre saberes e práticas voltadas às demandas do território, favorecendo a produção do cuidado orientada pelas necessidades da comunidade e pela integração entre saúde humana, animal e ambiental.
Palavras-chave
Pôster
HELEN ALVES DE AMORIM. EDUCAÇÃO EM SAÚDE SOBRE DOENÇA DE CHAGAS EM TERRITÓRIOS VULNERÁVEIS DA APS. In: Anais do 16º Encontro Nacional de Residências em Saúde, 2026, João Pessoa, Paraíba. Anais do ENRS. Movimento Nacional de Residências em Saúde, 2026.
